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Memória de um momento incerto...impossível, talvez...










A beleza quase sólida do teu olhar incendeia-me todos os sentidos,
quando os meus lábios mordem os teus numa fúria doce e quente,
enquanto as línguas dançam num ritual de prazer alado,
e as mãos navegam pelo corpo em busca do calor quente e húmido,
tudo em nós é uma melodia em crescendo escrita na pauta do desejo
por um compositor que escreve o desejo em carne viva...

Delimitado pelo rendilhado das tuas meias pretas,
cada milímetro das tuas coxas brancas e abertas,
alimentam em mim o meu instinto mais selvagem,
onde a noção das proibições se perde na tonalidade rosácea
dos corpos que se movem dentro de si em ritmos que vibram...

Demoro a minha língua em cada lugar teu, num modo suave e lento,
respondes com gemidos que exalam o desejo em estado puro...
Mordes os lábios e a tua língua é o símbolo do desejo vermelho,
devagarinho, como um veleiro ao sulcar o oceano,
penetro-te na ânsia pura dos sentidos, enquanto ferves em mim...

Olho-te dentro do olhar, os teus olhos estão adormecidos no fogo
desta paixão sem nome, brilhantes e doces na forma como olham...
Selamos o prazer num beijo que não tem princípio nem fim,
um beijo ritmado na sintonia dos movimentos que os corpos procuram,
enquanto a noite nos envolve e os rostos se apagam...

Dentro da noite todos os sentidos se viram para o núcleo do desejo,
onde as sensações deixam de ter contornos e a respiração ofegante 
se mistura com os sons mais profundos a que o prazer sem rédeas obriga...
Dentro de ti a paisagem torna-se próxima da alucinação,
e, mesmo dentro da invisibilidade do teu rosto, a tua beleza é singular...

Sem aviso, a madrugada acabou de renascer e a lua ilumina-nos,
adormeceste no meu peito o cansaço de muitas vidas...
Ao luar, o teu rosto revela feições que desconhecia,
os lábios, mordidos e molhados, semi abertos procuram o beijo,
o tal beijo que tanto procurei naquele domingo à noite...


Carlos Barão de Campos

Paisagem Mulher

Algures...um desejo...

um sonho e um grande Amor...



Eu só queria...







Queria saber o que sentiria se a tua sensualidade

não me turvásse os sentidos e a razão...

Queria deixar de procurar no teu corpo

o desejo que não me pertence...

Queria saber o que sentiria se não procurásse

a mulher de lingerie, a tal dos anúncios ou dos filmes...

Queria sentir-te sem pronunciar em silêncio

as obscenidades que alimentam o prazer...

Queria ser capaz de te amar sem fantasiar

para além de ti, do teu corpo...

Queria ser capaz de te penetrar

sem ter que suportar o prazer formatado da palavra...

Queria ser-me em ti e sentir-te em mim

na inocência de uma descoberta...

Queria amar-te na plenitude

sem que os gestos fossem os passos sequenciais

de um manual de instruções...

Queria amar-te perdendo a consciência

na transcendência original...

Queria que o orgasmo não tivesse nome,

fosse algo inominado, mais que um objectivo...

Queria a continuidade...amar depois do amor...

permanecer...

Queria olhar e tocar o teu sexo e estar presente,

escapando aos devaneios da mente perversa,

deixando de imaginar a mulher da lingerie,

a tal, de pernas abertas e seios hirtos,

colocando os lábios e a lingua num crescendo

que me habita sem tréguas...

Queria que tudo não fosse apenas causa e efeito...

Queria morder-te os mamilos sem saber a razão,

movimentar o meu sexo dentro do teu numa cadência

sem registo prévio, sem memória...

Queria abraçar-te num beijo,

profundo, lento e eterno...

emocionar-me, arrepiar-me, esquecer tudo...

Queria que o Agora contivesse todas as

modalidades de tempo e espaço...

Queria sentir saudades do futuro...

...Queria amar-te e ser amado, justificando a vida,

sem ser escravo do acto compulsivo de te possuir...
 
 
 
Barão de Campos

Não sei...






Não sei se és apenas desejo,
prazer ou volúpia...
Não sei se os teus lábios
são beijados ou apenas selváticamente mordidos...
Não sei se apenas cerro os dentes
quando o prazer obriga ou se te sinto...
Não sei se o prazer
do teu corpo também é sentir
ou apenas a fricção dos corpos...
Não sei se o serpentear
das nossas línguas
é apenas um instinto selvagem
ou um acto de amor...
Não sei se o nosso olhar
é apenas malícia ou ternura...
Não sei se os teus seios,
são os teus seios
ou apenas mais uma imagem do desejo...
Não sei se a húmidade do teu sexo
é a nossa cúmplicidade mais profunda ou apenas mais uma fantasia sem rosto...
Não sei se te amo ou se apenas me deleito no teu corpo...
Não sei se prazer e amor
poderão ser sinónimos...
Não sei...
Não sei se a tua lingerie
te torna mais bela,
ou te transforma na minha prostituta privativa...
Não sei se os nossos gestos nos pertencem
ou se não passam de imitações...
Não sei se existe espaço no meu imaginário
para te amar a ti, tal como és...
Não sei se não somos ambos
vítimas do erotismo e da pornografia mediática...
Não sei se ainda
poderemos amar-nos
sentindo-nos...
Lembrando-nos que aqueles
corpos somos nós,
as nossas lágrimas,
os nossos beijos e abraços,
os nossos sonhos e temores...
Não sei se ainda reconheceremos
os gestos mais puros e ingénuos...
Não sei se ainda seremos capazes
de misturar orgasmos com lágrimas..
Não sei, mas tenho
a certeza absoluta que tu sabes...



Barão de Campos




Apenas gestos










A forma como pintas os lábios, o movimento que anima cada gesto,

desperta os mais insuspeitados e contidos desejos...

A forma como soltas o cabelo e te insinuas,

conhecendo os efeitos que provocas...

Tudo em ti enfurece o corpo e incendeia a mente,

como se o prazer fosse o objectivo supremo...

Pudesse a vida conter uma dimensão inconsequente,

onde penetrar-te fosse apenas cumprir o desejo...




Barão de Campos


Desejo na escuridão...




Dentro da madrugada, sonâmbulo,
existindo entre dois mundos,
enquanto dormes,
o desejo invade o meu corpo,
as minhas mãos apertam os teus seios rígidos,
deslizam para o teu sexo quente e húmido...
Esfrego-me em ti na ânsia cega
de te penetrar de todas as formas...
Mordo os teus lábios
como quem ilumina a madrugada...
O prazer torna-se som,
frémito, loucura sem contornos...
A escuridão alimenta as fantasias
mais inconfessáveis...
Tudo acontece numa dimensão
onde a razão está entorpecida...
movimentos orgásmicos...
...o prazer sem retorno,
o ejacular espesso e lento
sincronizado do líquido da vida...



Barão de Campos

TU...





Hoje dobrei-me sobre o teu corpo,
passei a língua pela tua pele,
senti o teu arrepio quente,
escutei as palavras que não disseste...
Lentamente, como quem atravessa
uma fronteira em clandestinidade,
toquei-te com as minhas mãos,
fiz de ti a palavra não pronunciada,
desejo após desejo,
entre gemidos e pensamentos disformes,
apertei-te contra o meu corpo,
entrei dentro de ti,
como quem redescobre a vida...
Ficámos em Nós,
numa pertença
sem nome...
Beijei-te no calor fundo
da tua boca...
Oscilámos as nossas línguas
em movimentos sincronizados...
Olhei-te como se os teus olhos
fossem o espelho dos meus...
Amei-te no desejo,
numa melodia a mil tempos...
Avolumei o prazer no desejo que sentias,
afundei-me em ti,
conquistador ou naufrago...
Talvez a última palavra
tivesse sido a que não disseste...
Talvez a resposta fosse:
Amo-te...



Barão de Campos

....






Mordia os teus lábios quentes e húmidos,
sorvia a tua língua volumosa,
apertava os teus cabelos,
agitava-me entre o lamber dos teus mamilos
e a procura escaldante do desejo...
Intenso o cheiro, tudo em ti era pleno,
os contornos das tuas ancas,
a humidade espessa do teu sexo...
Penetrava o teu corpo,
rebentava dentro de ti
o prazer que as palavras não dizem...
olhava-te e o desejo ardia...
Gritavas e gemias
balbuciando o meu nome...
Permanecias de coxas bem abertas,
balouçando entre o espasmo
e a vertigem...
Olhar cúmplice,
esboçavas um sorriso,
desenhavas uma lágrima,
prolongavas o sentir 
do desejo cumprido...


Barão de Campos

Afugentando a morte...










Adocicado o sabor dos teus lábios


incendiavam o meus corpo,


desenhavas numa dança ondulante


a rota do prazer...


Lambias os lábios como uma serpente,


agitavas as ancas numa azáfama


sem nome nem adjectivo...


Colocavas os dedos na tua língua


e emitias sons de vibração única...


Desejo após desejo,


mentias com nexo e sexo,


como se engolisses as palavras


num acto de feitiçaria...


Quente, o teu corpo,


agitava-se num ritual


capaz de afugentar a morte...




Barão de Campos

Um gesto bastaria...











Quando desdobro as tuas palavras,

como telas envelhecidas,

reinvento os teus gestos,

numa agonia revelada...

Olho no espelho a tua imagem

ainda húmida e quente...

Por instantes, quase acredito

na expressão dos teus olhos ternos,

quase acredito no movimento dos teus cabelos...

Por um momento, senti a magia do amor...

Um momento sem duração nem memória...

um instante pleno...



Barão de Campos

Lugares sem nome...










Em algum lugar, a tua boca tece, àvida,

o calor húmido e doce...

Em algum lugar, o teu gemido cala o som das esferas...

Em algum lugar, a tua dança extasiante,

confunde o espaço e o tempo...

Em algum lugar, amor, paixão e sexo,

não terão nenhum sentido...

Em algum lugar, serás o imaginário nunca imaginado...

Em algum lugar...



Barão de Campos

Apenas Gestos...







A forma como pintas os lábios, o movimento que anima cada gesto,


desperta os mais insuspeitados e contidos desejos...


A forma como soltas o cabelo e te insinuas,


conhecendo os efeitos que provocas...


Tudo em ti enfurece o corpo e incendeia a mente,


como se o prazer fosse o objectivo supremo...


Pudesse a vida conter uma dimensão inconsequente,


onde penetrar-te fosse apenas cumprir o desejo...




Barão de Campos




Olhos nos Olhos...








Lábios dançando como serpentes, na procura do calor denso e aveludado

Lábios entrelaçados nos refúgios do prazer indizível

Lábios no olhar desenhando o trajecto do desejo ardente

Lábios nos Lábios, Olhos nos Olhos...




Barão de Campos

Inexplicável...







Adormeces nas palavras o sentido que as anima,

acordas nos sentidos o prazer inconsequente...

Aqueces dentro de ti o meu desejo,

inventas-me um nome para uma outra identidade...

Tudo em mim deixa de ser-me,

nestas paragens onde tu deambulas

na tua nudez ostensiva e possessiva...

Gemes de prazer dentro do meu silêncio...

Talvez, existam mil olhos a observar-me,

talvez, consigas levar-me contigo,

para longe dos meus fantasmas de criança...




Barão de Campos



Nos teus Lábios...







Adormecia no calor dos teus lábios,

 aguardando uma palavra mágica, capaz de alterar a ordem do universo...

No teu olhar habitavam mil fantasmas,


 talvez por isso, nunca sentiste 

verdadeiramente a minha humanidade...

Nunca entendi a tua beleza e o seu contraste...


Quando amavas parecia que odiavas...


Excitante, rosácea, a tua pele tinha uma linguagem,


nos teus olhos profundos viviam sonhos desejados,


mortos à nascença por estranhas memórias negras...


Tudo em ti se harmonizava numa luta de contrários, sem tréguas...





Barão de Campos

Paisagem de Mulher...







Imagino-te debruçada sobre o meu corpo,
atiçando com as tuas meias pretas o meu lado selvagem...
Todo o teu corpo respira o odor a desejo...
Anoiteces no bosque do imaginário,
acordando o prazer sem grades...

Imagino-te na doçura quente e sussurrante da tua voz,
quero-te por um instante, um momento único,
talvez, entrar dentro de ti
seja a comunhão com o absoluto,
a única forma de afugentar a morte...





Barão de campos




No Encanto dos teus Gestos...








Olhos rasgados na suavidade do teu rosto,
mordes os lábios húmidos e intensos,
tudo em ti se articula numa aura de desejo,
desenhas com os gestos os códigos mais secretos...

Não sei o teu nome,
talvez tenhas um nome que tenha nascido antes de ti,
um nome capaz de criar tanta beleza...
Talvez, o teu nome esteja gravado no sonho
mais íntimo de cada homem...

A tua voz é um som que atravessava o ar
causando um arrepio quase sólido...
O teu sorriso é brando e cauteloso,
como se escondesse algo magico...

Impregnas o espaço com o teu cheiro de Mulher,
seduzes com a naturalidade de uma flor,
brilhas com a beleza de uma estrela...




Barão de Campos







Amanhã, Talvez...








Amanhã, talvez...
Sorva os teus lábios nos meus,
acaricie os teus longos cabelos no meu peito nu...
Beije os teus seios quentes e hirtos...

Amanhã, talvez...
Envolva o teu corpo no meu,
sinta a humidade quente do prazer aberto em ti...

Amanhã, talvez...




Barão de Campos

Rosto de Boneca Pintada...







Fixava o meu olhar no teu rosto de boneca pintada,
iniciava a viagem pelo teu corpo no sentido mais longo...
Saboreava o calor dos teus lábios no volume da tua língua vermelha e quente,
agitávamos os nossos corpos em contrações ofegantes...

Sustinhamos a respiração, talvez para enfurecer o desejo,
ou para amordaçar um pouco mais o prazer...
Penetrava o teu corpo na intensidade dos teus gemidos...

Mulher de mil Noites e lugares,
Espasmo ardente na dança dos sentidos...
Rosto de Boneca Pintada no calor de uma voz que rasgava a pele...




Barão de Campos





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